14 de febrero de 2012

Constatación - L. Moncada (12/2/2012)


Envejecí de repente
aunque algunos objeten,
llegando al poniente
me he vuelto cargante
casi tanto como el calor,
y aunque por instantes
los ímpetus se aquieten,
ese fragor fijo, agobiante,
esa nube húmeda y densa
mezcla de deseo y pasado,
me hace creer demente.
Manías y mañas, con sorna,
tejen sus redes deprisa
las confunden, las enmarañan,
y lo que era benigno, estable,
manso, alegre risa, en fin, todo
ahora me trastorna.
Lo poco que aún sobra
de lo que haya sido otrora
ya no tiene compostura,
la biología perdió la hora
el color del amor ya no vibra
y la voz ha perdido su dulzura.

4 de febrero de 2012

Constatação - L. Moncada (4.2.2012)

Fiquei velha de repente
ainda que alguns objetem,
chegando ao poente virei
ranheta insuportável,
quase tanto quanto o calor
e embora por um instante
os ímpetos se aquietem
esse fragor fixo, agoniado,
essa nuvem úmida e densa
mistura de desejo e passado,
me faz acreditar demente.
Manias e manhas, com sorna,
tecem suas redes depressa,
as confundem, as emaranham,
e o que era benigno, estável,
manso, alegre riso, enfim, tudo
agora me transtorna.
O pouco que ainda sobra
do eu que tenha sido outrora,
não tem recomposição
a biologia perdeu a hora
a cor do amor já não vibra
e o diapasão ficou mudo.


2 de febrero de 2012

Dia da padroeira de Porto Alegre e de Iemanjá!

Hoje foi dia de festa na capital de todos os gaúchos. Dia de Nossa Senhora dos Navegantes padroeira da cidade de Porto Alegre, e também de Iemanjá, a rainha das águas.

Uma cidade como esta, banhada por um rio/lago/estuário (ainda não se chega a um acordo quanto a sua denominação - embora estuário esteja descartado pelas suas características - eu prefiro chamá-lo simplesmente de Guaíba!) desta magnitude não poderia ter outra padroeira a não ser N. S. dos Navegantes.

E com a herança antropológica e cultural vinda da África, na figura dos escravos, que é bastante forte por aqui, seria muito estranho que Iemanjá não fosse festejada e celebrada "coincidentemente", no mesmo dia.

Para ver a apresentação que fiz sobre esta cidade e sua festa, melhor colocar em Tela Cheia. Para ler um texto, é só dar pausa, e depois continuar. Ah, sim, a canção tema é "Porto Alegre é demais" de autoria de José Fogaça, aqui cantada pela sua esposa e cantora, Isabela Fogaça.

E por último, se acharam interessante, ou simplesmente curtiram o trabalho e as fotos, deixem um comentário, ok?

27 de enero de 2012

Série Kuasi hai kai - 26.01.2012


Fez sol na chuva
sete cores em arco
pintaram o céu

21 de enero de 2012

Obrigada La Fere, por esse outro olhar!

Talvez seja preciso explicar um pouco este post. Afinal, sempre achei, nas palavras de Ortega y Gasset, que "a claridade é a gentileza do filósofo" (e aí lembro que sou Licenciada em Filosofia!).
Em agosto do ano passado fui convidada a Curitiba para dar uma palestra na Faculdade Claretiana, por Yara Scheidweiler, quem acabou se tornando uma querida amiga. Generosos, deixaram o tema a minha escolha, e como se tratava do IV ENCIC ( Encontro de Iniciação Científica) e era dirigida, basicamente, à turma de Letras e de Artes, a palestra teve o título de: Na vida como na arte: teatro e poesia na sala de aula. Aqui o post do ano passado, antes do evento: http://palavraspalabras.blogspot.com/2011/08/curitiba-la-vou-eu-de-novo.html

Fui extremamente bem tratada, e acredito pela reação do público presente, tudo saiu muito bem! A única queixa foi que tinha sido curta demais! Depois de duas horas e meia... Pretendo voltar, gostei demais!
Mas entre todo o carinho e a atenção recebida, houve um em especial.
Um homem jovem, que também escreve e estava sentado na primeira fila do auditório, me comoveu muito quando, ao final da palestra me entregou este poema, escrito durante o papo todo, como forma de agradecimento!
Demorei muito tempo (desde agosto de 2011!) pensando se deveria ou não postar aqui, afinal, era para pessoal. Mas, tem momentos na vida em que a gente tem que deixar de lado tanta seriedade, tanto escrúpulo, tanto pudor até, e abrir o coração, pelas mãos do outro!
Obrigada Augusto La Fere, você vê, carinho com carinho se paga!




Um outro olhar - Lota Moncada (21/1/2012)

Nos dias em que me perco de vista,
em que o contorno de mim
fica incerto, indistinto, vago,
necessito um outro olhar
que me devolva o ar, o raro,
o íntimo desdesenhado,
átomos do ser divididos pelo tempo,
partículas do eu dispersas na história...
Essa velha cartomante míope
que confunde futuro, presente, passado
no sujo baralho da desmemória.

8 de enero de 2012

Verano al sur...

Mejor verlo en Full Screen (no que sea gran fotógrafa, pero se aprecia mejor!), hagan clic en el ángulo inferior derecho sobre la pantallita! Aviso a los navegantes: agregué 3 fotos de una luna "casi llena" (es mañana!) fantástica!

6 de enero de 2012

Se necesita una idea - Lota Moncada

Se necesita una idea
a ser posible, genial.
Una idea nueva
como un año,
como una fiesta
alegre,
cautivante,
como un enamorado.
Una idea que airee,
alboroce, complete,
me arrebate de mí,
me quite de aquí,
que me desquicie,
ofusque, desafíe,
provoque,
una idea que mate
y resucite,
que me abisme
y me eleve.
Se necesita apenas
una idea.
Tan solo una idea
capaz de irrumpir,
precipitarse,
de alzar vuelo
y llevarme con ella.

4 de enero, 2012

26 de diciembre de 2011

Amor em clave de dó - Lota Moncada (26/12/2011)



Amor esmorecido
semibreve, de repente,
vira semifusa
desconhece acorde
ignora andamento.
O rock então, vira bolero
- sem o mesmo charme -
intervalo é destempero
já não dois simultâneos,
as notas do piano, confusas,
como os doze meses de um ano,
se arrastam num só sem ritmo
em compassos quaternários.

Afinal, no que virou esse amor?
Clamor sem harmonia, plano,
ladainha de acordes sem arpejo
clave de dó, arranjo binário,
monofonia, bocejo?

Amor esmaecido
vira mesmo
atravessador... de melodia.

18 de diciembre de 2011

La pena desnuda - poema II Julio Moncada



II
La pena es un racimo
multiplicado en viñas de tristeza,
desde el pie a la cabeza
nos interpreta todo con su arrimo,
nos unge, nos devasta,
su óleo nos cubre y nos desata,
es una contenida catarata
que marcha por la sangre y no se basta
de atarnos, a su palo, a su medida,
de agarrotarnos mano, brazo pecho,
sigue siempre en acecho
para hacer más herida aquella herida.
Y la melancolía,
corona de oro sobre toda pena,
dulcemente nos llena
la boca de elegía.
Desde la pena arranca,
como la fruta de la rama verde
la hora en que se pierde
toda una puerta franca,
un mediodía,
una mano tenaz, una alegría.
La pena está en la casa,
su sombra echa en el plato de la pena,
su vacío de pena nos condena,
se nos mete en la boca como brasa,
encendida y tenaz llena de ortiga
y de saladas piedras nuestra cena.
Bebemos y comemos de la pena
como cáscara y miga.

En esta foto los Moncada, padre e hija, en 1980, cuando su exilio en París. Mi padre falleció 3 años después, sin poder volver a su amado Chile.

8 de diciembre de 2011

Recebi os meus livros hoje!

A antologia Ventos poéticos da Editora Literata de Praia Grande-SP, na qual participo com a versão em português do meu poema Desconsuelo (Desconsolo) chegou hoje!
Aqui embaixo umas fotos pra lá de caseiras (tiradas do celular...) só pra mostrar a vocês, tem até uma unha vermelha no canto inferior da terceira foto que me pertence...
Ainda não tive oportunidade de ler tudo, mas o livro está bem cuidado, edição bacana, e os autores foram bem escohidos. A maioria da turma é bem jovem, o que me dá uma imensa alegria e renova a minha confiança no futuro do mundo!
Se tanta gente jovem gosta de poesia a ponto de escrevê-la - e bem - de se expor, publicar, participar e continuar numa luta bem árdua, nem tudo está perdido gente!
Aproveito e deixo meu abraço e meus parabéns a todos os colegas!





Aqui podem ler o poema inteiro, e ouvi-lo em espanhol numa gravação minha, já que este poema participou do espetáculo Palavras Palabras, realizado em Curitiba em fevereiro de 2011.
http://palavraspalabras.blogspot.com/2011/10/lancamento-da-nova-antologia-ventos.html

27 de noviembre de 2011

A dama que palita os dentes

Dia destes, para ser exata há dois dias, fui cortar o cabelo. Enquanto esperava, mesmo com hora marcada a gente não pode pretender que o profissional esteja à disposição no horário exato, resolvi ler uma revista.

Nos salões, consultórios e outros lugares menos divertidos, costumam pulular as revistas antigas ou as de "variedades" (leia-se ricos e famosos, ou uma das duas coisas, ou ainda "amigos de amigos"...).

Mas tive sorte. Ou quase, já que não sou grande fã da dita cuja - alguns motivos ideológicos me impedem - a primeira da pilha ao meu lado era uma revista Veja com uma sugestiva capa, e pasmem, datada a 23 de novembro!



Tema deveras interessante (para mim pelo menos!) já que o conceito de "normalidade" flexível e discutível, ainda mais nestes nossos tempos de inverossímeis pressa e instabilidade, não é o que me parece mais adequado.

Talvez "normótico", i.e. "neurótico normal"...

Bem, mas o tempo de espera não seria tão longo como para entrar em temas escabrosos... Eu poderia terminar trocando a minha mudança de visual (parte da terapia da "normótica" aqui...) por uma tão bela quanto inútil digressão!

Resolvi apelar para a leitura dinâmica. Ou seja, folhear mais ou menos rápido a multidão de anúncios comerciais de página inteira, nos quais a revista é campeã, e me deter, muito de leve nas manchetes dos artigos, passando diligentemente à próxima página.
Isso foi assim durante alguns minutos, até chegar à página 28.

Ali estava um artigo da Lya Luft (sou fã de carteirinha!) cujo título "A dama que palita os dentes" espicaçou a minha curiosidade!

Tenho andado pensando muito no tema. Motivos pessoais, a passagem do tempo, as dificuldades do mundo, as próprias...

Mas não pretendo tomar o lugar da protagonista, só compartilhar com vocês um dos melhores artigos que tenho lido nos muitos últimos anos!

Deixo aqui duas pistas, um trecho pequeno, como para estimular a curiosidade ou o debate se quiserem, e o link onde ler o artigo inteiro.

"Quando penso na morte, não é só como a sombra da separação, mas como esse enigma que nos espia no fundo de um espelho onde, se sorrimos, nosso reflexo pode não sorrir - e aí o que a gente faz? Aí a gente se arrepende das besteiras, das bobagens, não daquelas naturais, normais - porque não somos perfeitos, que os deuses nos livrem das pessoas exemplares - mas da grande bobagem de ter vivido sem perceber, sem curtir."

26 de noviembre de 2011

25 de novembro, Dia Internacional Contra a Violência de Gênero

Adhesión a Mujeres de artes tomar.
Lectura de fragmento de Curso básico de racismo y machismo, del libro de Eduardo Galeano Patas arriba- La escuela del mundo al revés.Voz, traducción al portugués y montaje, Lota Moncada.


23 de noviembre de 2011

21 de noviembre de 2011

Bandoneón - Mario Benedetti

Voz, Lota Moncada.
Este poema fez parte do recital Tango e poesia, realizado a 28 de agosto deste ano, no Beto Batata Original, em Curitiba - PR.
O tango correu por conta dos bailarinos Leonardo Taques e Marina Prado, no bandoneón Alejandro Di Núbila.
Pretendo postar aos poucos, foi um belo espetáculo, e merece todo o cuidado!

Ah sim, sugiro que ponham a apresentação em Tela cheia (Full screen) e liguem o som, que está indicado por um ícone vermelho no canto superior direito!


10 de noviembre de 2011

Vete soledad - L. Moncada (nov. / 2011)


Vete soledad
ya no quiero
tu silencioso apego
suelta mi mano
no te necesito, quiero sí
la desvergonzada risa,
el revés del sosiego
los audaces dientes,
enmarañadas lenguas
cadencias que acaricien,
voraces,
en la oscuridad semidesnuda
de cualquier lugar,
mi pecho urgente.
Vete soledad,
a ver si me olvidas
ya no soy aquella
que resignada espera,
patético simulacro de gente,
una mirada de lado, un favor.
Soy la misma, y otras.
Hastiada de ventana, patio,
de cama vacía, calabozo,
del dolor intermitente
a la espera del lazo
destrozando la alegría
arrastrando mi paso.
Terminé por aprender
a pulir las escamas,
a limpiar el jardín,
colmado de penas,
a tallar mi diamante
por duro que sea,
y aunque a veces
descuide de alguna lección,
vete soledad, bien tranquila,
déjame en fin,
que tu ausencia
ya no me aniquila.

6 de noviembre de 2011

Da série Kuasi hai kai - Lota Moncada


lamento o tempo
enquanto voa
e sibila o vento

2 de noviembre de 2011

La única muerte es el olvido...



En un día como hoy, por la magnífica Mercedes Sosa, Zamba para no morir, letra: Hamlet Lima Quintana, música: Norberto Ambros y Alfredo Rosales (Argentina).



Romperá la tarde mi voz
hasta el eco de ayer.
Voy quedándome solo al final
muerto de sed, harto de andar
pero sigo creciendo en el sol, vivo.

Era el tiempo viejo la flor,
la madera frutal,
luego el hacha se puso a golpear,
verse caer, sólo rodar
pero el árbol reverdecerá, nuevo.

Al quemarse en el cielo la luz del día, me voy
con el cuero asombrado me iré
ronco al gritar que volveré
repartido en el aire a cantar, siempre.

Mi razón no pide piedad
se dispone a partir.
No me asusta la muerte ritual
sólo dormir, verme borrar
una historia me recordará, vivo.

Veo el campo, el fruto, la miel
y estas ganas de amar.
No me puede el olvido vencer
hoy como ayer, siempre llegar
en el hijo se puede volver, nuevo.

30 de octubre de 2011

Minha homenagem no Dia D - D de Drummond, 31.10.


Espalhe-se a ideia, tão simples quanto ambiciosa: transformar o dia 31 de outubro, data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, num dia de grande comemoração.

Nas escolas, universidades, livrarias, bares, museus, TVs, rádios, centros culturais e mesmo em solidão, não importa onde e como, que todos se lembrem de festejar Drummond e a sua poesia.

Um outro dia D, para apagar a guerra e saudar a liberdade, a imaginação, a aliança entre os homens de boa palavra.

Dia de festa, para a qual outros poetas devem ser convidados, claro. D é dia de todos, dia dado de bom grado por aquele que nos deu A rosa do povo, Claro enigma, A vida passada a limpo e tantas outras maravilhas.

Dia D. Dia de Drummond

26 de octubre de 2011

Sai solidão - Lota Moncada (outubro, 2011)



Sai solidão,
já não quero
teu silencioso chamego
solta minha mão
não te preciso, quero mais
o despudorado riso,
o contrário do aconchego
audaciosos dentes
emaranhadas línguas
cadências que afaguem,
vorazes,
na escuridão seminua
de qualquer lugar,
o meu peito urgente.

Sai solidão,
vê se me esquece
já não sou mais aquela
que resignada espera,
patético arremedo de gente,
um olhar de esguelha, um favor.
Sou a mesma e outras.
Enjoei da janela, do fogão,
da cama vazia, da cela,
da dor intermitente
à espera do laço
esfacelando a alegria
arrastando o meu passo.

Acabei aprendendo
a polir as escamas
a limpar o jardim,
eivado de penas,
a talhar meu diamante
por duro que seja,
e embora às vezes
de alguma lição me descuide,
vai solidão, bem tranquila,
me solta enfim,
que a tua ausência
já não me aniquila.


24 de octubre de 2011

Republicando este meu texto por motivos óbvios: Calor excessivo e repentino!

Odioso calor - Lota Moncada

O verão ainda nem começou e eu me pergunto como vamos sobreviver!
Não lembro se no ano passado o calor chegou chegando, assim, como neste ano. Se isso aconteceu, definitivamente ou envelheci de repente e a minha memória de curto prazo está indo... ou sofri uma amnésia parcial!

Pra mim, o mundo nunca esteve tão quente, tão chamuscante, tão desconsideradamente suarento.
Calor demais não presta pra nada. Nem pra praia!
Calor demais deixa a gente tão melado e desanimado pra viver, arrastando as pernas, agarradoa numa garrafinha pet com água já quente, como se do último oásis se tratasse, bebendo tudo com a santa ilusão de poder saciar aquele inferno interior!

Atravessar uma avenida? Só se for na base da estratégia, sempre ao lado de alguém mais alto, mais corpulento, que permita uma réstia de sombra... Esperando condução escondida detrás do único poste (ai como queria ser mais magra nessas horas!), franzindo a testa pra enxergar um pouco, mesmo usando óculos com proteção antitudo!

E aquelas faixas prateadas que sobem em ondas... como uma miragem, tremelicando, evaporando-se e voltando a aparecer, deliro ou estou mesmo no deserto?

Já a noite pode ser ainda pior! Sem posição na cama, amarfanhada, nuca suando (ainda!), ventilador de teto espalhando umidade, gotículas de suor condensado pingando dos meus olhos (sim, dos olhos mesmo, choros oceânicos!) formando uma enorme nuvem que se eleva e amerissa sobre a gente, num moto contínuo.

Travesseiro encharcado, respiração ofegante, mesmo em repouso. Falei repouso? Não liguem, deve ser "audiagem", algo assim como "miragem auditiva"! E aquele odor azedo pairando no ar...

Sexo nem pensar! Sem clima, literalmente. Se já não ME aguento, que dirá a uma outra pessoa...

Pensar então, horror! Meu único neurônio foi-se pelo ralo junto com a décima chuveirada do dia. Na briga contra a insônia, perdeu de goleada! Não só não quero pensar, não quero que me "pensem"... E muito menos, que me comuniquem os tais! Pensamentos mais profundos na canícula soam a coisa de filme de terror classe C, que se leva a sério!

Mas convenhamos, além de comer mal, andar sempre esbaforida, sentindo cheiros nada inspiradores, próprios e alheios, com os pés como pastel de carne com excesso de recheio, ainda nem sequer poder dormir!?

Agora, a gota d´água (aliás “o grão de areia”... E aqui um aviso aos navegantes: sempre levo isso para o lado pessoal), é quando alguém chega e diz: Ah, eu adooooro verão!

Aí sim, me sinto aquela “geleca” (que não sei quem teve a peregrina ideia de inventar!), disforme, gosmenta, desajeitada e sem dignidade alguma, mas com um profundo ódio - assassino e in crescendo - dirigido indistintamente a toda criatura que pareça lépida e fagueira, fresca, sequinha, cheia de energia e de planos para todas as horas deste infindável verão que mal começou!

14 de octubre de 2011

Lançamento da nova antologia Ventos poéticos



Este poema, em sua versão original em espanhol, ganhou no início deste ano de 2011 um prêmio no Concurso Internacional de Poesia de Latin Heritage Foundation (EUA). O prêmio consistia na publicação em livro, Una Isla en la isla, uma antologia de autores hispanoamericanos, já que a Fundação tem como objetivo manter e divulgar a cultura e a arte hispanoamericanas.
Tenho como hábito, ou pelo menos quase sempre, traduzir os meus escritos, sejam poemas ou contos. Assim exercito minha profissão de tradutora e aprendo um pouco mais a difícil arte de transpor versos, sem destruir os de outros! Desta forma, surgiu esta versão de Desconsolo que hoje tenho o prazer de ver integrar, aqui no Brasil, uma outra antologia:


Não, por favor,
não me consoles
deixa-me sofrer
que a causa é nobre
que a pena é limpa
e faz mais leve a alma.
A fina tristeza
como chuva mansa
lava, prepara, encanta
desliza suavemente
por olhos, boca, garganta,
e deixa na passagem
apenas lembrança.
Por favor, abraça-me,
não me abandones
quando como alude
sobrevenha o pranto
arrastando tudo,
coração de luto
ventre desgarrado
turbilhão no peito
alma a descoberto.
E quando, por fim,
encegueçam meus olhos
para já não ver
o irmão morto,
a tragédia inútil,
a esperança em fuga,
permite que me cale,
já secos os lábios,
que descanse a mão
de sinal aberto
e refaça o passo
que se tornou lento.


Querendo ouvir a versão original em espanhol cliquem aqui: Desconsuelo

13 de octubre de 2011

Montevideo, setiembre 2011

Esta presentación fue un "paseo sentimental" por mi querida Montevideo, la mayoría de las fotos sacadas con mi celular, pero la idea es darles mi visión, la crónica de mis días en Uruguay. Lamentablemente no conseguí ponerle el título a las diapositivas, pero eso queda para más adelante! La música de Drexler vale la pena...

Para verlas como se merecen, hacer clic en Ver en Pantalla Grande (ícono en el ángulo inferior derecho)

7 de octubre de 2011

Tomas Tranströmer - Prêmio Nobel de Literatura 2011


Fim de estação. Eu continuei a viagem
Para além do fim da estação.

Quantos eram? Quatro,
cinco, poucos mais.

Casas, caminhos, nuvens,
enseadas azuis, montanhas
abrem as suas portas.

Tomas Tranströmer (Estocolmo, 1931)