13 de feb. de 2015

Estoy viva como una fruta madura... - Gioconda Belli

Y grabación mía.



Estoy viva
como fruta madura
dueña ya de inviernos y veranos,
abuela de los pájaros,
tejedora del viento navegante.

No se ha educado aún mi corazón
y, niña, tiemblo en los atardeceres,
me deslumbran el verde, las marimbas
y el ruido de la lluvia
hermanándose con mi húmedo vientre,
cuando todo es más suave y luminoso.

Crezco y no aprendo a crecer,
no me desilusiono,
ni me vuelvo mujer envuelta en velos,
descreída de todo, lamentando su suerte.
No. Con cada día, se me nacen los ojos del asombro,
de la tierra parida,
el canto de los pueblos,
los brazos del obrero construyendo,
la mujer vendedora con su ramo de hijos,
los chavalos alegres marchando hacia el colegio.

Si.
Es verdad que a ratos estoy triste
y salgo a los caminos,
suelta como mi pelo,
y lloro por las cosas más dulces y más tiernas
y atesoro recuerdos
brotando entre mis huesos
y soy una infinita espiral que se retuerce
entre lunas y soles,
avanzando en los días,
desenrollando el tiempo
con miedo o desparpajo,
desenvainando estrellas
para subir más alto, más arriba,
dándole caza al aire,
gozándome en el ser que me sustenta,
en la eterna marea de flujos y reflujos
que mueve el universo
y que impulsa los giros redondos de la tierra.
Soy la mujer que piensa.
Algún día mis ojos encenderán luciérnagas.

6 de feb. de 2015

Antiquada, eu? - Lota Moncada. Foto: Man Ray

Foto: Man Ray ( EUA, 1890 - França, 1976)


Talvez você tenha razão
e eu seja, sim,
velha, antiquada,
um pouco decadente.
Já vou mesmo
descendo a escada.

Talvez tenha, sim,
meu humor ficado ácido
e o meu bom senso
- farto de ser adequado -
enfurecido se revolte.


Já sabemos, sim,
quem ri por último
só ri atrasado.
Mas, não receie,
do riso ficou apenas
um rumor entontecido,
o esgar educado do
estranhamento íntimo.

Junte seus cacos,
seu fardo, sua tralha,
leve minha mala
querendo, até ajudo,
foram tantas vezes
que já não me abala.
Agora, por favor,saia,
se arraste daqui,
nem sequer se volte
- periga virar pedra.

Esqueça o veludo, a voz
de canalha, não gaste
seu resto de humanidade
numa guerra bem perdida.

Fico sozinha, sim, 
mas, não se mortifique,
apesar de tanto ontem
- ou talvez por isso mesmo -
hoje, sou boa companhia.

24 de ene. de 2015

Pois é - L. Moncada (20.1.15)


pois é
e é sem querer
que a gente vai
vivendo descobrindo
amando esquecendo
de esquecer

pois é
e de novo o verso vai
nascendo sofrido
pendurado na lembrança
enroscado numa rima
até que o esquecimento

pois é  o esquecimento
o reviva o resgate
o arranque  do tormento 
de ser sem tom nem som 
somente um verso tão só
pois é

Escrito após a leitura de um poema (lindo, aliás) do amigo poeta e compositor, Ronald J. de Magalhães, este aqui debaixo

Há tantas coisas pra se amar
e o amor que se descobre sem querer
brotando de um verso que a gente esqueceu
de lembrar, relembrar, reler.



20 de ene. de 2015

Amor em clave de dó - Lota Moncada


Amor esmorecido,                                                        
semibreve, de repente,
vira semifusa.

Desconhece acordes
ignora andamento,
rock então, vira bolero
- sem o mesmo charme -
intervalo é destempero,
já não mais dois simultâneos,
e as notas do piano, confusas

como os doze meses de um ano,
se arrastam num só sem ritmo,
em compassos quaternários.

Afinal, no que virou esse amor?

Clamor sem harmonia,
plano, ladainha de acordes
sem arpejo, clave de dó,
arranjo binário, monofonia, bocejo?

Amor esmaecido, vira mesmo,
atravessador de melodia.


3 de ene. de 2015

Vou indo, me perdoa - Lota Moncada

Com meus respeitos aos Carlos Lyra e ao Ronaldo Bôscoli, de quem tomei "a bossa" ("Se é tarde me perdoa")  emprestada para uma releitura!



10 de dic. de 2014

Bom de ver - L. Moncada

bom de ver
o amor da gente
virando gente
boa de ver


4 de dic. de 2014

Ouso me olhar - Lota Moncada

Hoje, a paz veio me abraçar.
E uma aragem me despenteia e 
arranca do meu miúdo silêncio.

 Aprendi a ameigar, abrandar 
até quase desaparecer. 
No entanto, cresço, corro,
voo, chego, e fico. 
Visto a roupa da coragem, 
porque é preciso, só sendo aluado,
um tanto doido, desatinado, 
para se olhar de frente, e se ver. 
Para achar onde pousar a vertigem, 
a adrenalina desbordada, tanta vida 
maltrapilha, tanta ferida sangrada. 

Noiva do vento descubro-me ar, 
que me expira e te inspira, 
que filtra a existência e te penetra, 
me respira, me pulsa e te prenuncia, 
no precioso ato de sorver a vida. 

Sou a musa do olhar, a espada do encanto, 
a atriz da fábula sem fala, a bruxa do conto. 
Sou a que teme, mas chega. A alma que vem 
e a que foge, aquela que se enrola no teu sopro,
te despe e, arrebatadamente, te toma e se dá. 

 Tão-somente porque ouso me olhar.

Nemesio Antúnez ( Chile 1918 - 1993)

13 de nov. de 2014

Se foi Manoel, o poeta das inutilezas...

Ah, chorei aqui no meu canto! E eu não sou das 10 mais choronas não! 
Mas a morte, essa "Fêmea de mistério infinito, fiel e perene sombra" (este verso é de um poema meu, Às vezes penso na morte), sempre me bate forte! 

A do Manoel, essa delicadeza feito poeta, me faz sentir (mais) órfã. Eu sei que ele deixa uma imensa obra, que foi maravilhoso de mil modos, que ainda será... E eu sou agradecida por ter conhecido, por ter lido seus poemas, ouvido essa voz e esse jeito, um jeito "falso caipira" que, em suas palavras: 

"Me exibo através de ficar sob as cinzas. Sou sempre uma pose falsa tirada no escuro. Me exibo de costas. Eu faço o nada aparecer." Um enigma Manoel, ocupado com "inutilezas". 

Mas a sua falta física, "real", é para mim um momento de dor, e 
"Poesia exige sensibilidade. Se você não tem sensibilidade, preparo algum adianta." 

Manoel é Poesia.

28 de oct. de 2014

Se necesita una idea - Lota Moncada

Se necesita una idea.
A ser posible, genial.

Una idea nueva
como un año,
como una fiesta
alegre, cautivadora
como un enamorado.

Una idea que airee,
alboroce, complete,
me arrebate de mí,
me quite de aquí,
que me desquicie,
desafíe, provoque, 
una idea que mate
y resucite, me abisme
y me eleve.

Se necesita apenas
una idea.

Tan solo una idea,
capaz de irrumpir,
precipitarse, 
de alzar vuelo
y llevarme con ella.



A vida variada - Lota Moncada


24 de oct. de 2014

Zen - L. Moncada


Clique na imagem para ler melhor!

19 de oct. de 2014

Poemeto psicologista - Lota Moncada



Como vai a sua libido? 
Soltou  à queima-roupa 
um sabido de plantão. 
Pelo bafo e pela olhada
ao meu decote, o papo 
vinha  profundo... O perfeito 
freudiano de balada.

Libido? Libido? 
Devolvi-lhe um sorriso fatal,
vaga lume, boa (quiçá), 
lembrança de tempos idos. 
Sem reducionismo meu caro,
sou mais o tio Carl que curtia 
a vastidão da energia vital.


 "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas. Mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana." 
                                                 Carl Gustav Jung



15 de oct. de 2014

Poema triste - Lota Moncada

 

Triste de dar pena,
como el triste vino
que bebemos en las noches,
llena la copa de tristeza ebria
hasta el borde, y más.

Pesadumbre cansina,
insiliada, lenta, a un paso
de la nada, plena tan sólo
de melancólica pena.

Entro a un café y sin pedirla
me la traen los adioses
bailando sobre las mesas,
surcando la manida senda.

Y ya que está aquí
- aunque no la quiera -
me la voy quedando,
tristeza-cola, bebida
sin limón ni hielo,
desabrida tristeza, y sola.

Bebida toda, sin pedirla,
mía hasta el borde, y más,
ebria de tristeza, lenta,
que desabrida baila
detrás de los adioses,
por la indebida senda.

A un paso de la nada
cansada de dar pena.

13 de sept. de 2014

Pequeña historia - Julio Moncada (poema inédito) y Otra mirada - Lota Moncada

Permítanme compartir con ustedes algo que hace parte de mi más íntima y remota memoria. 
Es un poema que mi padre me escribió cuando mi madre y su marido decidieron venir a vivir a Brasil. Yo vivía con ellos, tenía que venir también.

Mi relación con mi padre fue siempre muy estrecha, muy íntima, un tanto silenciosa, él, más introspectivo que yo todavía; pero muy amorosa y profunda. Alejarnos fue un dolor inmenso. Para ambos.
Algunos años después, 7 para ser exacta, volví a vivir en Montevideo, con él y su esposa, Nelly Goitiño.
Pero esa es ya otra historia! 
En esta noche de nostalgia les dejo el poema inédito, escrito en su máquina Royal de 1945...












































31 de ago. de 2014

Um presente do filho à mãe e vice-versa!

Bem feliz (e orgulhosa), com o filho que não parece prestar muita atenção aos meus poemas (e aos de mais ninguém!), recebo dia destes um terceto escrito por ele! Rapidamente resolvi colocar em imagem, e aí está!



Perguntas - Lota Moncada


Quem, a não ser eu
em busca do meu outro
poderia ser tão louco
a ponto de pular
sem rede, sem medo
- ou com ele - mas voar,
ao infinito, ao fundo
desse céu sumidiço?

Quem, a não ser você,
fugindo desse outro
responderia, e apenas,
com obstinado silêncio,
apagando sem delicadeza,
desdesenhando-se
afastando-se, oscilante
mas a passo ligeiro,
entre turvos adeuses?

Quem, a não ser você e eu,
esse fendido nós, 
acreditaria que, sangrando
veias e artérias,
poderiam ser contidas
as insanas torrentes
dessa paixão desandada?

O que fazer com as mãos
derramando o vazio,
a desamparada boca,
os inundados olhos?
E o quê, com meu corpo
ansioso e disposto
a entregar-se inteiro,
quebrados os elos
de um passado ermo?

O que fazer agora
que passou o espanto?

Sepultar os restos,
abafar o pranto
que insistente sobe
e se desencadeia
como uma rotunda
catarata de pena.
Aquietar o peito,
levantar cabeça,
conjugar pretéritos,
continuar à espreita,
o acaso surpreende
à volta da esquina
e pequenas frestas
clareiam a vida.

É preciso andar desperto,
sem fazer perguntas,
e que o futuro deixe de ser
tão somente um tempo.

29 de jul. de 2014

A viagem - Lota Moncada

Olho. A cidade me devolve
silêncio, banalidade.
Vou ao espelho, sem brilho,
não reconheço o que vejo.
Antropofágica me engulo,
nem mastigo na busca
insana do que aniquila
e resgata, arranca do casulo.

Onde a personagem, a forte,
a intensa, a falsa calma?
Entre estômago e pulmão,
ou enredada na traqueia,
mal respirando, ofegante,
debatendo-se entre as veias?

Tento, aflita, achar a alma
que desliza pelas vértebras
- nunca depressa o bastante -
se ocultando de fibra em fibra
nesse agoniante vagar.

Percebo um coração fatigado
- apenas corado, um nada -
se forçando a continuar.
Tanto o amor bateu na aorta...
Ah, Drummond, quem me dera
e ele batesse à porta!

Alpinista de garganta, contracorrente
escorrego, arrisco, nada adianta.
Numa ânsia regurgitada me entrego
- toda viagem tem prazo e preço -
alma sem palavras, extraviada,
não rima, não tece prosa, nem verso.

24 de jul. de 2014

Y... - Lota Moncada


Y les hablo, terca les hablo,
pero nada…Tan solo el silencio.

A veces, una mancha disforme,
humedad,  camaleónico moho
y su aliento, se me antoja respuesta.

Y pregunto, obstinada pregunto,
aguzo el oído…Solo el silencio.

Por instantes, el sonido sordo
de pasos perdidos, pisadas
sin marca, parece contestar.

Y velo, insomne vigilo,
plena de escucha y mudez.

Un segundo pasa como rabión,
arrasa hilachas de vida, en su lugar,
ausencia, aislamiento, miedo.

Y aun así, espero, victimizada espero,
me odio, y espero. En silencio.



30 de jun. de 2014

Palavras Palabras - 2014

O recital Palavras Palabras em sua nova versão (2014), com poemas meus em português e espanhol aconteceu neste sábado 28 de junho, às 19 h no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo - Porto Alegre, Brasil.
Os poemas foram agrupados por afinidade temática: as Palavras, o Cotidiano, a Dor, o Amor e a Poesia. 
No grupo a Dor apresentei o meu pai, Julio Moncada, poeta chileno falecido no exílio em Paris em 1983. Dele li Destierro (1958) em espanhol e uma tradução minha ao português de El desconcierto (A perplexidade) incluído no livro Poemas de Malvín (1967). Agradeço, por mim e pelo meu pai, a emoção e as palmas recebidas nesse momento.
Também incluí nesse grupo o poema Meus dias de Clarice Almada, heterônimo feminino de João Antônio Pereira.
Publicarei algumas fotos na página do blog (Fotos), um pouco mais adiante porque o trabalho me reclama, mas foi ótimo!