15/4/2014

Quando for a hora - Lota Moncada (14.4.14)

dê-se tempo
tome tento
pule dentro 
ame solto
abra o peito
vire a mesa
doe um tanto

mas atine logo 
sinta no corpo
o desencanto 
e salte fora 
sem pena
sem pranto 
quando for a hora


11/4/2014

Celebrando (como siempre!) el cumpleaños de mi padre (Santiago de Chile, 12.4.1919 - París, 19.7.1983)


En 1943 mi padre, Julio Moncada, entonces con 24 años, publicó su primer libro de poemas, Las voces (Ediciones Americanas “Andes”) en su ciudad natal, Santiago de Chile.
Mañana 12 de abril de 2014 estaría cumpliendo 95 años, y como todos los años el recuerdo de su dulce y algo melancólica figura, de su ternura infinita y el enorme amor por su pueblo, su gente y esta que les escribe, su hija, me llevan a hacerle un pequeño homenaje que deseo compartir con mis amigos y algunas de las personas que lo conocieron. 
Y a aquellos que no lo conocieron, aquí les dejo algo de su alma.




Habito un país distante – Julio Moncada 

Vivo en un país distante.
Allí donde el otoño mueve el tiempo.
Habita mi alma fruta y pájaro;
mujer, hélice, recuerdo.

Todo lo que sea huída.
Todo lo que sea ausencia.
Abro la puerta cada día
para que pase la tristeza.

A veces muero lentamente.
A veces vivo silencioso.
Tengo la cábala que abre
un mundo claro y melodioso.

Como cuidador de estrellas
y fino pastor de la tarde
comprendo voces que no entiende 
la sencilla gente del valle.

Cuando me muera me he de ir.
O he de volver. ¡Y quién lo sabe!
Bien sé que siempre estuve ausente
habitando un país distante.

14/3/2014

Sísifo y yo - Lota Moncada

Cerro arriba voy 
cargando la piedra
que debe rodar.
Ah, Sísifo, a diario
matando una muerte
- de tantas que hay -
para poder respirar.

Absurda la vida,
pesada la roca,
¿qué sentido tiene
morder ese polvo,
volver a empezar?
Seguir a la zaga,
guarnecida tan solo
de esperanza lúcida,
morir disconforme
- consciencia adquirida -
cargando mi piedra y
que vuelva a rodar.



9/3/2014

Figura de linguagem - Lota Moncada


A antítese da tese
antípoda próxima,
síntese sem resumo,
verso ao inverso.
O que sou, afinal,
senão a palavra
que se lê, ou não,
explícita ou calada,
inteligível e hermética
a que não se explica?
Às vezes elipse,
às vezes pleonasmo,
geralmente hipérbole.

Quem sou, afinal?
Alquimista fugaz,
breve e taciturna,
que faz silepse, mas
nem sempre sinapse.
Tudo isso, e mais.
Há sempre mais detrás
das mil figuras de linguagem,
algumas inventadas,
parafraseadas,
artificiosamente urdidas,
mas, com certeza,
prosopopeia jamais!




28/2/2014

Vejez - Alberto Centurião (traducción libre, Lota Moncada - 2009)




de repente
cuando menos se espera
llega el día largamente esperado
más temido que deseado
en que eres el más viejo de tu clan
de tu estirpe el más remoto ascendente
por el solo motivo que todos los otros
que te antecedieron en la vida
también antes de ti se retiraron
por el cuentagotas de la muerte
y te tienes que habituar a un nuevo papel
en adelante serás el anciano
a presidir el consejo de ancianos
el abuelo el padre el tío el viejo
el consejero el caduco
el más mimado inútil 
aquél que todos quieren o repelen
hasta que por vacancia
se cumpla el linaje sucesorio
porque en fin te volviste
la más reciente entre las ausencias

colgadas de la memoria

9/2/2014

Uma parte de mim é todo mundo... - Lota Moncada

Aqui deixo a bela montagem e edição do meu texto e o poema do Gullar que podem ler aqui debaixo, pelo amigo e grande profissional Wasyl Stuparyk:


Nunca tive grande preocupação em escrever para este ou aquele público  - no máximo alguma vez na minha vida escrevi para alguma pessoa em especial. Não penso muito sobre isso, simplesmente escrevo.
Sou uma pessoa. Mas,uma pessoa-mulher e o meu discurso parte dessa inegável realidade, com a qual estou bem à vontade. Parece lógico que a minha escrita, poesia ou prosa, tenha identificação com e no feminino.

Ultimamente tenho reparado mais, e a partir daí feito umas "estatísticas" - não que eu entenda do riscado, a matemática nunca foi o meu forte, mas os amigos e mesmo alguns amigos de amigos, e também definitivos desconhecidos, acabaram me ajudando com suas "curtidas e/ou comentários" - assim veio a confirmação: aproximadamente 75 % das pessoas que curte, carrega, compartilha ou comenta é mulher. E suponho que faz isso porque se identifica com o que escrevo ou com a leitura aberta do sentir expressado nos escritos. Mas há outros anseios... E outras leituras!

O que me leva a uma nova reflexão que deixo para outro dia, não temam!

Mas o que me levou a escrever isto hoje?  Nada muito grave, motores da vida. Algumas questões que têm surgido, algumas perguntas, alguma incompreensão, minhas próprias dúvidas (que sim, são várias!) quanto à comunicação, estilo, idiomas, formas, e por vezes, conteúdo.
E também a pergunta cuja resposta não me deixa nunca completamente satisfeita: por quê?

A minha escrita me traduz. Ou serei eu a traduzir-me pelo que a escrita fala, ou me permite falar?   

Cedo o espaço a um poeta e poema que são uma referência importante na minha vida brasileira e nas minhas profissões, Ferreira Gullar e "Traduzir-se", e cada um que leia/veja /ouça como quiser/puder, segundo suas circunstâncias!

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -

será arte?

12/1/2014

Preguntas - Lota Moncada


¿Quién sino yo
en busca de mi otro,
podría ser tan loco
a punto de saltar
sin red, sin miedo 
- o con él - pero volar,
al infinito, al fondo
de ese cielo escurridizo?

¿Quién sino tú,
huyendo de ese otro
respondería, y apenas, 
con obstinado silencio,
borrando sin delicadeza,
desdibujándote,
alejándote, oscilante,
pero a paso ligero,
entre turbios adioses?

¿Quiénes sino tú y yo,
resquebrajado nosotros,
aún así ilusos,
creería que sangrando 
venas y arterias 
podrían contenerse
los insanos torrentes
de una pasión desbocada?

¿Qué hacer con las manos
rebosantes de puro vacío,
con la solitaria boca 
los anegados ojos?

¿Y qué, con mi cuerpo
ansioso y dispuesto
a entregarse entero,
rotas las cadenas 
de un pasado yermo?

¿Qué hacer ahora
que pasó el espanto?

Sepultar los restos,
ahogar el llanto
que insistente sube
y se desencadena
como una rotunda 
cascada de pena.
Aquietar el pecho
levantar cabeza,
conjugar pretéritos,
seguir al acecho,
que el acaso sorprende
a cada vuelta de esquina 
y pequeñas rendijas
te enciende la vida.

Hay que andar despierto,
huelgan las preguntas, 
que el futuro deje de ser 
tan solo un tiempo.

13/11/2013

Habito un país distante - Julio Moncada. Voz Lota Moncada.

Sabe saudade geral, ampla e irrestrita? Hoje bateu uma assim! Saudade até do que não houve, não soube, não vi. E mesmo assim, está lá, existe, corpórea, concreta, doída, desaguando pelos olhos sua realidade. 

Então com este poema do meu pai, Julio Moncada (poema del libro Las voces, Ediciones Americanas "Andes", Santiago de Chile, 1943), gravado já há algum tempo, e que diz tão bem (e também) de mim, os deixo, pelo menos por hoje.


6/11/2013

Hasta cualquier hora tío Nino!

Com muita tristeza fiquei sabendo ontem, 5 de novembro, que o meu querido tio Nino, que só é meu tio por ter sido o melhor amigo dos meus pais e companheiro de teatro da minha mãe, e especialmente porque foi a primeira pessoa a me ver na minha chegada a este mundo, lá por 1948 (meu pai estava muito nervoso e mandaram ele pra casa, Nino ficou na maternidade, ao lado da minha mãe!).  

Muitos anos mais tarde, trabalhei sob a sua direção numa lindíssima peça infantil (Cantachiflines) do também amigo Julio Amabile, em Teatro del Centro, Montevideo - Uruguay, 1972. http://www.catalogodeartistas.com/photo/view/269

E sempre nos mantivemos em contato, apesar de ele morar em Buenos Aires há muitos anos, e eu entre o Brasil e o mundo! 
Aqui fica um link para o filme (completo)  "Esperando la carroza"  de 1985 

Hasta cualquier hora tío Nino!





21/9/2013

Nova y Nueva - Lota Moncada (21.9.2013)


amanheci
grávida de árvores
tronco nu
tímidas flores
despontando
vento de primavera
nem alegre
nem triste
apenas nova

                                             

amanecí
grávida de árboles
tronco desnudo
tímidas flores
despuntando
viento de primavera
ni alegre
ni triste
tan sólo nueva