21/04/2013

Mona Lisa de vitral - Lota Moncada (20.4.2013)


Esos cielos de mi infancia
grises, altos, coloridos,
inalcanzables, cerrados,
translúcidos, infinitos,
esos cielos de cristal 
aún estimulan mi ensueño.

Verme así, aleteando exangüe
gota de agua en el mar
- por paradoja que sea -
me devuelve la sed, la calma,
la aplazada realidad, el ánima,
mi media sonrisa estancada,
Mona Lisa de vitral.

12/04/2013

Celebrando el cumpleaños de mi padre (12.4.1919 - 19.7.1983)


En 1943 mi padre, Julio Moncada, entonces con 24 años, publicó su primer libro de poemas, Las voces (Ediciones Americanas “Andes”) en su ciudad natal, Santiago de Chile.
Hoy, 12 de abril de 2013 estaría cumpliendo 94 años, y como todos los años el recuerdo de su dulce y algo melancólica figura, de su ternura infinita y el enorme amor por su pueblo, su gente y esta que les escribe, su hija, me llevan a hacerle un pequeño homenaje que deseo compartir con mis amigos y algunas de las personas que lo conocieron. Y para quienes no lo conocieron aquí les dejo algo de su alma.

Habito un país distante – Julio Moncada 


Vivo en un país distante.

Allí donde el otoño mueve el tiempo.
Habita mi alma fruta y pájaro;
mujer, hélice, recuerdo.

Todo lo que sea huída.

Todo lo que sea ausencia.
Abro la puerta cada día
para que pase la tristeza.

A veces muero lentamente.

A veces vivo silencioso.
Tengo la cábala que abre
un mundo claro y melodioso.

Como cuidador de estrellas

y fino pastor de la tarde
comprendo voces que no entiende 
la sencilla gente del valle.

Cuando me muera me he de ir.

O he de volver. ¡Y quién lo sabe!
Bien sé que siempre estuve ausente
habitando un país distante.

                                                                                               Habito un país distante, grabación Lota Moncada

05/04/2013

La mano y yo - L. Moncada (4.4.13)


Esa mano
en melancólico reposo
me observa
sin asomo de curiosidad
me llama
con minúsculo gesto
me acaricia.

Me apena
sentir en mi piel
su piel serena
divisar los surcos
pequeñas manchas
inadmisibles
imperfecciones
a la estética moderna.

Esa mano
me conoce
de otro lugar
otro momento
otrora.
Mansa no rehúye
la mirada escrutadora
que no la ubica
la indaga
la investiga
pretendiendo saber
adónde cuándo cuál
relación tal vez
exista o existió
entre ella y yo. 

28/03/2013

Feliz aniversário! - Lota Moncada



Como alguns sabem hoje, 27 de março, é o meu aniversário. Adoro comemorar! Talvez por ser a única filha, durante mais de 18 anos e também a única neta pelo lado paterno, desde que me lembro com nariz - e não é pouco tempo - o meu aniversário sempre foi comemorado!

Minhas lembranças mais remotas voam e mudam de país, mas sempre há balões, chapeuzinhos, e principalmente, bolo com velinhas, acompanhando essas viagens! E felizmente, pessoas queridas me rodeando, mãe, pai, avós, primos, amigos grandes e pequenos, o carinho solto no ar, as canções tradicionais, os presentes, as brincadeiras, os puxões de orelha e muita boa energia solta no ar!

Talvez algumas pessoas se perguntem, por que comemorar o aniversário? Por que celebrar uma data que no fundo, só tem mesmo importância, e relativa, para cada um?

Primeiro foram os pais, a família, as raízes e o tronco. De mais velha, eu era o tronco, e já estava acostumada com o festerê!
Talvez porque tenha virado um hábito, um hábito alegre, pleno de significado e emoção; porque a passagem do tempo nos ensina, talvez nem tão rápido, que “não temos a vida assegurada” e que a porta de saída está sempre aberta...

Talvez porque goste de me sentir especial, pelo menos um dia por ano; talvez porque goste de festa mesmo (isso deve fazer parte do meu lado chileno!), adoro receber amigos, abraços, lembranças, presentes (e porque não gostaria?), fazer comidinhas para corresponder a esse afeto, arrumar a casa, dispor o ambiente para a celebração da vida!

Fiquem à vontade para achar que é só vaidade, egocentrismo, coisa de filha única. Até pode ser! Mas conheço várias pessoas que não curtem isso tudo e, francamente, acho bem mais egoísta.  É necessário aprender - entre muitas outras coisas na vida - a receber afeto e a ser feliz com isso!  
Sempre achei que receber é bem mais difícil do que dar ou demonstrar carinho! Talvez porque oferecer nos faz sentir bons, generosos, amáveis!

Fazer aniversário, completar um ciclo, é um ótimo momento para fazer uma pequena pausa na famosa “vida maluca”, e pensar no que foi feito até esse instante, no que ainda sonhamos, perceber se ainda se sonhamos! Bom momento para abraçar a si mesmo e ser condescendente por um dia, se perdoar dos erros cometidos, uma e outra vez, e acreditar que, naquele dia podemos começar tudo de novo e sempre há uma chance de acertar... E errar de novo, tantas vezes quanto for necessário ou inevitável!

Nasci ao sul do mundo, em março, início do outono (minha estação preferida!) neste hemisfério, sob o signo de Áries, apressada, inquieta, impaciente, brigona, franca até o exagero (característica enfim minimizada pelos anos...), mas também amiga dos amigos, mão aberta e solidária, sempre disponível para quem também se demonstrar assim, pouco apegada ao material (embora adore gastar!), e um ouvido atento para quem precisar.

Por que seria vaidade celebrar mais um ano, um dia, um momento raro embora repetido ano a ano?

Uma oportunidade a mais para colocar para fora meu afeto, algum talento, o amor pela vida? Por que não celebrar o aniversário? Sentir que, se você foi aquilo que acredita ser, o universo - nas pessoas que o querem bem-  se encarregará de confirmá-lo pelo carinho, da forma que for, mensagens, cumprimentos, telefonemas, bons desejos, abraços e, sobretudo, amor. Essencial amor, materializado em atos e atitudes que nos permite sentir que nascemos a cada aniversário!

E hoje é mais do que especial porque celebrarei 65 (UAU!) junto com a minha neta que celebrou os seus 5 no dia 23 – passado e futuro se encontrando no baralho da fortuna - e amigos e família reunidos para me alegrar e festejar comigo, possibilitando que eu exerça plenamente o melhor lado da minha humanidade!

E como diria o meu querido Polaco da Barreirinha (grande poeta, grande pessoa, Antonio Thadeu Wojciechowski!) num poema com que me presenteou no aniversário de 2012 :

(...) 
feliz daquele que puder
olhar para trás
e rever as maravilhas
dos seus melhores momentos
em câmera lenta

Lota Moncada
Porto Alegre, 27 de março de 2013.


25/03/2013

Sarau Literário Zona Sul - 26 de março às 19h30


 

Mulheres poetas lendo e dizendo poetas mulheres! Esperamos vocês! Vai ser muito bom

21/03/2013

Y el otoño ha llegado!



um mesmo poema
mil vezes reescrito
talvez isso seja paixão

08/03/2013

Este clip foi uma adesão minha ao coletivo argentino  Mujeres de Artes Tomarimpulsado desde 2011 por Las Chicas de Blanco, companhia teatral independente, criada e  dirigida pelas minhas amigas e fantásticas mulheres e atrizes, Claudia Clo Quiroga e Sandra Posadino. 

O que fiz foi traduzir o trecho do texto de Eduardo Galeano  "Curso básico de racismo e machismo" , gravá-lo e montar um clip, isso foi para o 25 de novembro/ 2011, Dia Internacional Contra a Violência de Gênero. 

Sendo amanhã 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e sendo a violência de gênero o grande flagelo que nos aflige e mata, ainda e muito, achei oportuno subi-lo novamente! 

Sempre na luta pelos direitos!

11/02/2013

Pequeña historia - Julio Moncada (poema inédito)

Permítanme compartir con ustedes algo que hace parte de mi más íntima y remota memoria. 
Un poema que mi padre me escribió cuando mi madre y su marido decidieron venir a vivir a Brasil. Yo vivía con ellos, tenía que venir.

Mi relación con mi padre fue siempre muy estrecha, muy íntima, muy amorosa y alejarnos fue un dolor inmenso. Para ambos.
Algunos años después, 7 para ser exacta, volví a vivir en Montevideo, con él y su esposa, Nelly Goitiño.

Pero eso es ya otra historia! En esta noche de nostalgia les dejo el poema inédito, escrito en su máquina Royal 1945...




05/02/2013

A viagem - L. Moncada (5.2.2013)



Olho a cidade que me devolve
silêncio, banalidade.
Vou ao espelho, sem brilho,
não reconheço o que vejo.
Antropofágica me engulo  
- nem mastigo - na busca insana  
pelo que aniquila e resgata,
pelo que arranca do casulo.

Onde a personagem,
a forte, a intensa, a falsa calma,
entre estômago e pulmão,
ou enredada na traqueia,
mal respirando, ofegante,
debatendo-se entre as veias?

Tento, aflita, achar minha alma,
que desliza pelas vértebras,
nunca depressa o bastante,
se ocultando de fibra em fibra
nesse agoniante vagar.

Percebo o coração bem fatigado,
- apenas corado, quase um nada -
se forçando a continuar. 
Tanto o amor bateu na aorta,
ah Drummond, quem me dera,
esse bicho instruído batesse à porta...

Alpinista de garganta, contracorrente
escorrego, arrisco, mas nada adianta.
Numa ânsia regurgitada me entrego
- toda viagem tem seu prazo, seu preço -
uma alma sem palavras, extraviada,
não rima, não tece prosa, nem verso.

03/02/2013

Constatación - Lota Moncada


Envejecí de repente
aunque algunos objeten.
Llegando al poniente
me he vuelto cargante,
casi tanto como el calor,
y aunque por instantes
los ímpetus se aquieten,
ese fragor fijo, agobiante,
esa nube húmeda y densa
mezcla de deseo y pasado,
me hace creer demente.
Manías y mañas, con sorna,
tejen sus redes deprisa
las confunden, las enmarañan,
y lo que era benigno, estable,
manso, alegre risa, en fin, todo
ahora me trastorna.
Lo poco que aún sobra
de lo que haya sido otrora
ya no tiene compostura,
la biología perdió la hora
el color del amor ya no vibra
y la voz ya no encuentra su dulzura.

16/01/2013

A cara a tapa - Lota Moncada (16.1.2013)

Dá licença, vou à luta.
Quero ser unicamente, 
sem ditame de ter que,
nesta vida bruta.

E se isso implica em ser
alegre, tristonha, feroz,
agridoce ou chata, lá vou eu 
- mesmo sem permissão -
dar a minha cara a tapa.




01/01/2013

Perguntas - L. Moncada (abril / 2011)


Quem, a não ser eu
em busca do meu outro
poderia ser tão louco
a ponto de pular
sem rede, sem medo
- ou com ele - mas voar,
ao infinito, ao fundo
desse céu sumidiço?

Quem, a não ser você,
fugindo desse outro
responderia, e apenas,
com obstinado silêncio,
apagando sem delicadeza,
desdesenhando-se
afastando-se, oscilante
mas a passo ligeiro,
entre turvos adeuses?

Quem, a não ser você e eu,
esse fendido nós, 
acreditaria que, sangrando
veias e artérias,
poderiam ser contidas
as insanas torrentes
dessa paixão desandada?

O que fazer com as mãos
derramando o vazio,
a desamparada boca,
os inundados olhos?
E o quê, com meu corpo
ansioso e disposto
a entregar-se inteiro,
quebrados os elos
de um passado ermo?

O que fazer agora
que passou o espanto?

Sepultar os restos,
abafar o pranto
que insistente sobe
e se desencadeia
como uma rotunda
catarata de pena.
Aquietar o peito,
levantar cabeça,
conjugar pretéritos,
continuar à espreita,
o acaso surpreende
à volta da esquina
e pequenas frestas
clareiam a vida.

É preciso andar desperto,
sem fazer perguntas,
e que o futuro deixe de ser
tão somente um tempo.