24 oct. 2011

Republicando este meu texto por motivos óbvios: Calor excessivo e repentino!

Odioso calor - Lota Moncada


O verão ainda nem começou e eu me pergunto como vamos sobreviver!
Não lembro se no ano passado o calor chegou chegando, assim, como neste ano. Se isso aconteceu, definitivamente ou envelheci de repente e a minha memória de curto prazo está indo... ou sofri uma amnésia parcial!

Pra mim, o mundo nunca esteve tão quente, tão chamuscante, tão desconsideradamente suarento.
Calor demais não presta pra nada. Nem pra praia!
Calor demais deixa a gente tão melado e desanimado pra viver, arrastando as pernas, agarradoa numa garrafinha pet com água já quente, como se do último oásis se tratasse, bebendo tudo com a santa ilusão de poder saciar aquele inferno interior!

Atravessar uma avenida? Só se for na base da estratégia, sempre ao lado de alguém mais alto, mais corpulento, que permita uma réstia de sombra... Esperando condução escondida detrás do único poste (ai como queria ser mais magra nessas horas!), franzindo a testa pra enxergar um pouco, mesmo usando óculos com proteção antitudo!

E aquelas faixas prateadas que sobem em ondas... como uma miragem, tremelicando, evaporando-se e voltando a aparecer, deliro ou estou mesmo no deserto?

Já a noite pode ser ainda pior! Sem posição na cama, amarfanhada, nuca suando (ainda!), ventilador de teto espalhando umidade, gotículas de suor condensado pingando dos meus olhos (sim, dos olhos mesmo, choros oceânicos!) formando uma enorme nuvem que se eleva e amerissa sobre a gente, num moto contínuo.

Travesseiro encharcado, respiração ofegante, mesmo em repouso. Falei repouso? Não liguem, deve ser "audiagem", algo assim como "miragem auditiva"! E aquele odor azedo pairando no ar...

Sexo nem pensar! Sem clima, literalmente. Se já não ME aguento, que dirá a uma outra pessoa...

Pensar então, horror! Meu único neurônio foi-se pelo ralo junto com a décima chuveirada do dia. Na briga contra a insônia, perdeu de goleada! Não só não quero pensar, não quero que me "pensem"... E muito menos, que me comuniquem os tais! Pensamentos mais profundos na canícula soam a coisa de filme de terror classe C, que se leva a sério!

Mas convenhamos, além de comer mal, andar sempre esbaforida, sentindo cheiros nada inspiradores, próprios e alheios, com os pés como pastel de carne com excesso de recheio, ainda nem sequer poder dormir!?

Agora, a gota d´água (aliás “o grão de areia”... E aqui um aviso aos navegantes: sempre levo isso para o lado pessoal), é quando alguém chega e diz: Ah, eu adooooro verão!

Aí sim, me sinto aquela “geleca” (que não sei quem teve a peregrina ideia de inventar!), disforme, gosmenta, desajeitada e sem dignidade alguma, mas com um profundo ódio - assassino e in crescendo - dirigido indistintamente a toda criatura que pareça lépida e fagueira, fresca, sequinha, cheia de energia e de planos para todas as horas deste infindável verão que mal começou!

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