26 oct. 2011

Sai solidão - Lota Moncada (outubro, 2011)



Sai solidão,
já não quero
teu silencioso chamego.
Solta minha mão,
não te preciso, quero mais
o despudorado riso,
o contrário do aconchego,
audaciosos dentes,
emaranhadas línguas,
cadências que afaguem,
vorazes,
na escuridão seminua
de qualquer lugar,
o meu peito urgente.


Sai solidão,
vê se me esquece,
já não sou mais aquela
que resignada espera,
- patético arremedo de gente -
um olhar de esguelha, um favor.

Sou a mesma e outras.

Enjoei da janela, do fogão,
da cama vazia, da cela,
da dor intermitente
à espera do laço,
esfacelando a alegria,
arrastando o meu passo.
Acabei aprendendo
a polir as escamas,
a limpar o jardim
eivado de penas,
a talhar meu diamante
por duro que seja,
e embora, às vezes,
de alguma lição me descuide,
vai solidão, bem tranquila,
me solta enfim,
que a tua ausência
já não me aniquila.

1 comentario:

Sergio Omar Otero (Seroma) dijo...

pese a mis limitaciones idiomáticas... he podido disfrutar de tus letras