1 ene. 2013

Perguntas - L. Moncada (abril / 2011)


Quem, a não ser eu
em busca do meu outro
poderia ser tão louco
a ponto de pular
sem rede, sem medo
- ou com ele - mas voar,
ao infinito, ao fundo
desse céu sumidiço?

Quem, a não ser você,
fugindo desse outro
responderia, e apenas,
com obstinado silêncio,
apagando sem delicadeza,
desdesenhando-se
afastando-se, oscilante
mas a passo ligeiro,
entre turvos adeuses?

Quem, a não ser você e eu,
esse fendido nós, 
acreditaria que, sangrando
veias e artérias,
poderiam ser contidas
as insanas torrentes
dessa paixão desandada?

O que fazer com as mãos
derramando o vazio,
a desamparada boca,
os inundados olhos?
E o quê, com meu corpo
ansioso e disposto
a entregar-se inteiro,
quebrados os elos
de um passado ermo?

O que fazer agora
que passou o espanto?

Sepultar os restos,
abafar o pranto
que insistente sobe
e se desencadeia
como uma rotunda
catarata de pena.
Aquietar o peito,
levantar cabeça,
conjugar pretéritos,
continuar à espreita,
o acaso surpreende
à volta da esquina
e pequenas frestas
clareiam a vida.

É preciso andar desperto,
sem fazer perguntas,
e que o futuro deixe de ser
tão somente um tempo.





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