6 jun. 2013

Às vezes penso na morte - Lota Moncada



Às vezes penso na morte.
Muitas vezes penso nela.
Fêmea de mistério infinito,
fiel e perene sombra,
intermitente grito,
silêncio prenhe de
pesadelo e repulsa.

Algumas vezes nos olhamos.
Mesmo sem ver nos olhamos.
Eu impotente, ensaiando
sinais, mais longe, mais tarde,
vá embora.
Ela sem riso, sem dor,
sem lágrima, sem paz,
agora.

Pensará em mim também?
Ou apenas, paciente,
aguarda um descuido,
um desisto, um tropeço,
um instante qualquer
marcado quem sabe onde,
não se sabe quando,
por quem sabe quem?

Então verei seus olhos.
Andaremos juntas,
desconhecidas íntimas,
poderei contar que
muitas vezes pensei nela,
algumas a busquei,
outras tantas a odiei,
que somos parecidas e
mesmo encolhida
me mantive à espreita.

E ela dirá - talvez -
com sua voz surda,
não tenho olhos
nem recordações,
não se engane
nem queira me enganar,
não pode haver sentimento
entre nós.

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