Palavras ditas, escritas, imaginadas, vistas, sentidas, pensadas. Palavras em dois idiomas, quase sempre. Vida hecha palabra. O viceversa.
30 dic 2012
25 dic 2012
Odioso calor! - Lota Moncada ( Terceira republicação!!)
O verão ainda nem começou e eu me pergunto como vamos sobreviver!
Não lembro se no ano passado o calor chegou chegando, assim, como neste ano. Se isso aconteceu, definitivamente, ou envelheci de repente e a minha memória de curto prazo está indo, ou sofri uma amnésia parcial!
Pra mim, o mundo nunca esteve tão quente, tão chamuscante, tão desconsideradamente suarento.
Calor demais não presta pra nada. Nem pra praia!
Calor demais deixa a gente tão melado e desanimado pra viver, arrastando as pernas, agarrado a uma garrafinha pet com água já quente, como se do último oásis se tratasse, bebendo tudo com a santa ilusão de poder saciar aquele inferno interior!
Atravessar uma avenida? Só se for na base da estratégia, sempre ao lado de alguém mais alto, mais corpulento, que permita uma réstia de sombra... Esperando condução escondida detrás do único poste (ai como queria ser mais magra nessas horas!), franzindo a testa pra enxergar um pouco, mesmo usando óculos com proteção antitudo!
E aquelas faixas prateadas que sobem em ondas... como uma miragem, tremelicando, evaporando-se e voltando a aparecer, deliro ou estou mesmo no deserto?
Já a noite pode ser ainda pior! Sem posição na cama, amarfanhada, nuca suando (ainda!), ventilador de teto espalhando umidade, gotículas de suor condensado pingando dos meus olhos (sim, dos olhos mesmo, choros oceânicos!) formando uma enorme nuvem que se eleva e amerissa sobre a gente, num moto contínuo.
Travesseiro encharcado, respiração ofegante, mesmo em repouso. Falei repouso? Não liguem, deve ser "audiagem", algo assim como "miragem auditiva"! E aquele odor azedo pairando no ar...
Sexo nem pensar! Sem clima, literalmente. Se já não ME aguento, que dirá a uma outra pessoa...
Pensar então, horror! Meu único neurônio foi-se pelo ralo junto com a décima chuveirada do dia. Na briga contra a insônia, perdeu de goleada! Não só não quero pensar, não quero que me "pensem"... E muito menos, que me comuniquem os tais!
Pensamentos mais profundos durante a canícula soam a coisa de filme de terror classe C que se leva a sério!
Mas convenhamos, além de comer mal, andar sempre esbaforida, sentindo cheiros nada inspiradores, próprios e alheios, com os pés como pastel de carne com excesso de recheio, ainda nem sequer poder dormir!?
Agora, a gota d´água, aliás “o grão de areia” - e aqui um aviso aos navegantes, sempre levo isso para o lado pessoal! - é quando alguém chega e diz: Ah, eu adooooro verão!
Aí sim, me sinto aquela “geleca” (que não sei quem teve a peregrina ideia de inventar!), disforme, gosmenta, desajeitada e sem dignidade alguma, mas com um profundo ódio - assassino e in crescendo - dirigido indistintamente a toda criatura que pareça lépida e fagueira, fresca, sequinha, cheia de energia e de planos para todas as horas deste infindável verão que mal começou!
17 dic 2012
Presentão de Natal do amigo Nilo Dörr!
E quando se pensa que já nada mais te surpreenderá (pelo menos neste ano!) aparece um amigo com um presente de Natal destes!
O Nilo Dörr e eu nos conhecemos há muitos anos, nos tempos de ambos, teatro e música, em Curitiba!
Há muitos anos que não moro mais lá, e há muitos também que o Nilo (clicando aqui o perfil dele no FB) mora na Suíça. Nos reencontramos por um momento, aqui mesmo em Porto Alegre onde ele estava de passagem e eu morando, e fez um belo show num bar local. Foi ótimo, e ele é um músico maravilhoso, além de uma pessoa encantadora.
Dia destes, escrevi o poema, "Vem embora" (que conversa diretamente com "Pedro Pedreiro" do Chico Buarque, meu respeito ao grande Chico!) e mostrei ao Nilo, pela internet é claro! Ele curtiu, não disse muita coisa, e de repente despenca no meu perfil esta beleza!
Preciso dizer da emoção!?
E mais porque estou voltando de Curitiba, depois de ter recebido uma linda homenagem no Teatro Guaíra, durante a entrega dos Troféus Gralha Azul, aos melhores do teatro 2012, e entreguei o prêmio ao Melhor Texto Original, então, sensibilidade à flor da pele, Natal chegando, saudades muitas, resultado: choro de montão!
Obrigada amigo, aqui aguardo, ansiosa a gravação, que tenha certeza, fará parte do CD do livro Palavras Palabras a ser lançado em 2013!
16 dic 2012
13 dic 2012
Palavras na entrega dos Troféus Gralha Azul 2012.
Gosto de me emocionar, gosto de suspense, gosto de duvidar, gosto de sentir que não, que não sei tudo, que não consigo imaginar tudo, e de saber que sempre tem alguém escrevendo, cantando, interpretando, e que pode me levar pela mão nesse caminho. Gosto... Sim, gosto de palavras.
É por elas que estive aqui neste mesmo palco, recebendo um Gralha Azul de Melhor Autor, há 28 anos.
E é por elas que estou aqui hoje, recebendo este afeto explícito e entregando o Gralha Azul 2012 de Melhor Texto Original.
Acredito em algumas coisas: que se permitir, participar, se expor de peito aberto ao julgamento do outro, é um ato de entrega e de valentia.
Que um prêmio é uma festa e também o reconhecimento a esse ato, e que é muito importante que exista um reconhecimento para que este ato seja parte, cada vez mais, de um círculo virtuoso e contínuo.
Então, longa e feliz vida ao Troféu Gralha Azul, aos seus criadores e àqueles que o tornam possível e importante."
Lota Moncada
Em tempo (espero!): faço público meu agradecimento à paciente, inteligente, boa poeta e amiga Germana Zanettini que me ajudou na elaboração deste pequeno texto. Confesso, sou meio travada quando "não estou personagem"!
E parabéns Germana, não é pra qualquer um ser finalista no Açorianos!
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